quarta-feira, março 15, 2006

 

Fora do Alcance

Um dos riscos mais comuns de serem encontrados em Projetos são os cortes de Orçamento, que influem na conclusão e sucesso do projeto. Outro risco comum – principalmente em projetos que envolvem equipes com raízes culturais distintas, seja por países diferentes ou regiões de um país com grande extensão territorial – é o conflito de culturas.

No projeto SOFIA – Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy – não foi diferente.

O objetivo deste projeto é dar possibilitar aos cientistas observar a luz infravermelha causada por eventos astronômicos como o nascimento de estrelas jovens no universo e a formação de planetas a partir da poeira ao redor das estrelas. Esta luz – ferramenta necessária para desvendar os processos cósmicos fundamentais e detectar planetas fora do sistema solar – é invisível aos telescópios na terra.

A partir desta necessidade, nasceu o projeto SOFIA, que irá converter um boeing 747 SP em um gigantesco telescópio “voador”, através do qual os cientistas poderão obter uma visão previlegiada da radiação infravermelha no espaço.

Voando a altitudes de aproximadamente 12.500 metros os sensores dos SOFIA irão observar o céu ao comprimento de ondas de 0,35 e 655 µm possibilitando uma visão clara, de uma posicão acima de 99% de todo o vapor d’água que bloqueia a visão através dos telescópios tradicionais.

O projeto é uma união de esforços patrocinados pela Agência Espacial Americana – NASA – que patrocina 80% dos custos e pela DLR Alemã que arca com os 20% restantes.

Os planos para este projeto começaram em meados de 1970, porém o seu início se deu uma década depois. Originalmente, foi prevista a conclusão do projeto em 2002.

Uma importante etapa foi alcançada em 2002, que foi a chegada do sistema telescópico (2,7 m) da Alemanha para o local de montagem em Waco, Texas, EUA. De acordo com os planos, o SOFIA já deveria estar operando, porém os cortes no orçamento dos dois lados e desafios organizacionais causados pelo grande número de stakeholders forçaram constantes replanejamento de datas para a montagem do sistema. Em 2002, o planejado foi Outubro de 2004, agora não será realizado antes do Outono de 2006, segundo Oliver F. Lehmann.

Excluindo-se os desafios técnicos – que são gigantescos – os problemas de relacionamento interpessoal e organizacionais foram subestimados pela equipe de projeto.

Críticas realizadas pelas equipes de ambos os país, em consideração ao trabalho, são alguns motivos para a discussão do andamento do projeto, qualidade e consequentemente atrasos no projeto.

Tratando-se de duas agências espaciais altamente conceituadas no mundo, as “estrelas” não ficam satisfeitas com críticas a seus métodos de trabalho.

Uma equipe liderada por Aaron J. Shenhar do Stevens Institute of Technology em Hoboken, N. J., EUA, concluiu que o projeto “precisa de uma integração cultural para a coordenação e comunicação sem furos”. Aaron sugere também uma mudança de foco sobre a visão técnica do projeto, (sugestão que achei brilhante!) para favorecer o foco da integração e concentrar os esforços na comunicação.

Os gerentes de Projeto, geralmente têm dificuldades em desviar suas atenções da parte técnica do projeto – onde geralmente são especialistas e se sentem confortáveis – e voltar suas atenções para a sua equipe, as pessoas.

Desta forma, é necessário que além do papel de gerente de projetos, o responsável assuma o papel de liderança das equipes. Um projeto que envolve tantas pessoas e sua área de influência é enorme (praticamente todo o MUNDO) têm que se preocupar e prover mecanismos para que as diferenças culturais não sejam dificultadores para este projeto, que já possui tantos desafios (orçamento elevado, complexidade técnica, por exemplo).

Um dos aspectos enfatizados no PMBOK® - Project Management Body of Knowledge – é a importância do entendimento do ambiente do projeto. Neste caso específico do projeto SOFIA, este ponto não foi considerado como um fator de risco do projeto o que ocasionou em dilatação dos prazos do projeto. Por exemplo, o agendamento da montagem do sistema de telescópio levou 4 anos, da data de planejamento para a data de execução (alterada pelo segunda vez).

O que fica de lição para nós com este caso, é a importância das diversidades culturais nos projetos que estamos envolvidos. Além disto, fazer um plano para que isto não seja uma barreira para a conclusão dos projetos, encarar este desafio como um risco para o projeto, buscando assim superar as expectativas dos Patrocinadores do projeto.
Abaixo o link para quem quiser maiores detalhes do projeto.
http://www.sofia.usra.edu/


Comentário da reportagem Case Analysis: Out of Sight, da revista PM NETWORK edição de fevereiro de 2006.

Comments:
E aí, Felipe! Beleza?
Achei o artigo muito interessante!

Um forte abraço,

Carlos Rosa
 
E aí, Felipe! Beleza?
Achei o artigo muito interessante!

Um forte abraço,

Carlos Rosa
 
Olá Felipe!

Adorei o artigo. Ficou muito bom mesmo!!!

Fico feliz em saber que seus interesses estão voltados para a área de gestão de pessoas, pois realmente é o essencial de qualquer trabalho. Muitos profissionais focam somente a parte técnica, mas se as relações humanas não estiverem adequadas, tudo se perde.

Abraços,

Iara Araújo
 
Felipe, também podemos notar, além da questão da gestão das pessoas, como bem comentou a Iara, que esta matéria demostra que existem projetos hierárquicos, podendo envolver vários níveis de gerência do projeto, passando da questão técnica e subindo o nível até ter um gerente do projeto master que "enxerga" o projeto como um todo e em todas as direções, ficando com a obrigação de costurá-lo. Muito boa matéria. Parabéns.
 
Olá, tudo bem?
Preciso falar com você Felipe.
Pode me mandar um email??
thayspiraju@gmail.com
Obrigada!
 
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